
Como a minha profissão me permite falar sobre mídia sem dó, cabe, aqui, escrever um pouco sobre seu poder e como ele é retratado na telona. Desde a criação dos chamados “grandes estúdios” em Hollywood, a mídia vem exercendo papel cativo no cinema. Um grande clássico do chamado “Cinema Moderno” que retrata, magnificamente, o poder da mídia é “Cidadão Kane”, de Orson Welles.
Cidadão Kane (1941)
Produzido, dirigido e protagonizado por Welles, o filme, de 1941, trata da trajetória de um ícone das comunicações, Charles Foster Kane e busca explicar uma palavra que ele diz em seu leito de morte (“Rosebud”). Qualquer semelhança com o poderoso William Randolph Hearst (magnata da imprensa americana) não é mera coincidência.

O filme começa com o pequeno Charles Kane e a ruptura brusca com sua família: ele herda uma fortuna e deixa de viver com os pais para ser criado por um banqueiro.

E a história passa pela vida do agora milionário cidadão Kane até sua morte e nos deixa mensagens que, de tão atuais, causam espanto. Segue como retórica:
- O que uma pessoa é capaz de fazer para ter o poder nas mãos?
- A culpa é de quem? Aquele que faz o sensacionalismo para vender jornal ou do público, ávido por tragédias e escândalos, que consome o jornal? A questão é bem atual, como pode o leitor ver.
- Até que ponto vale à pena uma vida milionária se a arrogância pode fazer com que a pessoa morra sozinha?
Deixo as questões como reflexão. Ah! É muito válido o documentário “Muito além do Cidadão Kane”, para compreendermos um pouco um exemplo bem brasileiro de poder da mídia: Roberto Marinho, das Organizações Globo. Imperdível.

Gênero: Drama
Ano: EUA/1941
Duração: 119 min
Direção: Orson Welles
A Montanha Dos Sete Abutres (1951)
Outro filme que trata de mídia e é importantíssimo nas discussões sobre o poder da informação é “A montanha dos sete abutres” (1951), de Billy Wilder.

E vê sua grande chance quando descobre que, na cidade vizinha, um homem está praticamente soterrado numa caverna. Percebe, então, que se conseguisse prolongar a permanência do homem dentro dos escombros, sua chance estaria nas mãos: ele teria seu furo. Era a notícia à venda, transformada numa mercadoria.
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Para Tatum, a morte de muitas pessoas é apenas um número, enquanto a morte de uma única pessoa tem "interesse humano" e desperta o “interesse em saber tudo sobre essa pessoa". Ele estava certo.
Como bem escreveu Alexandre Gomes no maravilhoso site “Observatório da Imprensa”, “se em 1951 Tatum era um caso extremo, hoje ele seria a regra absoluta de um jornalismo que não é só industrial por adotar modernos processos de produção e disciplina fabril, mas também porque não produz informação, e sim mercadoria”. Que o diga o caso da menina seqüestrada em Santo André.

Gênero: Drama
Ano: EUA/1951
Duração: 111 min
Direção: Billy Wilder
Viviane Ponst
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